Le bonheur est

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May 2012

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Vocês conhecem a teoria do HATCHOFAI-MALAI?

Ontem discuti com meu pai
E disse pra ele: “HATCHOFAI - MALAI”
Ele me perguntou com face bruta:
“O que significa isto, filho da puta?”

Pra você me entender
Preste atenção no que vou dizer:
Eu sou um cara “HATCHOFAI “
Que fica bebendo, mas não caio.

Tenho uma missão aqui na terra
Foder com quem só me ferra
Sou um cara gato
Que as minas paga um pato.

E pra você que só ouve bobagem
Eu tenho uma mensagem:
Não lute pelo HATCHOFAI ‘
Pra você ele é demais….

“TCHOFAI - MALAI”
Não tem no Paraguai…
“TCHOFAI - MALAI”
É foda pra caray !

Se você não entendeu a teoria
pergute a sua tia, como se reza “Ave-Maria”

E pra você entender melhor o
“HATCHOFAI - MALAI”
Primeiro tem que acreditar
Que agora vai !

May 29, 2012

Observe esse recém chegado, é oco, um balde vazio,nele serão atiradas flores,e também quimeras. Se lhe forem atiradas mais flores, sua beleza interior lhe agregará valor,será exaltado. Se lhe forem atiradas mais quimeras, ficará no quarto escuro junto com os que tiveram o mesmo infortúnio.Porém, independentemente da sorte desse recém chegado, ele é e sempre será um escravo.
O que será melhor? Sentir e exalar o doce aroma sem ter consciência dos grilhões ou viver no lodo e ter consciência dessa barbárie?

May 16, 2012

April 2012

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Nostalgia. de Leonardo Cordeiro.

Ah, queria amada nostalgia…
Maldita seja!
Vem como o vento, sem alarde
Prantos em meu coração despeja

Mostrando-me que já é tarde…

O mostro que vem, veloz como um açoite,
Face inocente que vem e me aflige,
Dentre as trevas da noite
E a luz alguma, me dirige

Em sonhos eu me perco…
Pois ela vem e então te arrasa,
Faz de chamas, uma mera brasa…
Traz memórias que carregam lágrimas…

Ah…
À aquela que mais se estima…
Se o tempo houvesse parado aquela hora…
Uma pena…
Mas apenas lembranças restam agora…
E o que fora outrora,
Jamais voltará junto a aurora…

Apr 26, 2012

December 2011

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Dec 11, 20111,899 notes
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Nov 9, 2011
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Nov 5, 201185 notes
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October 2011

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Oct 6, 2011713 notes
#Edwardian #Mariaunet #photography #vintage

September 2011

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A Bengala



Aquela talvez fosse a última vez no dia em que entrava no apartamento recém adquirido. Depois de um dia inteiro fazendo a mudança – que, na verdade, não tinha grandes volumes –, me sentaria à pequena sala já mobiliada, e talvez tomasse mais uma latinha de cerveja. Logo que entrei, o velho e bom “Seu Carlos” estava em sua poltrona predileta, ainda nova porque comprara há pouco tempo, desde que já não podia mais dividir o sofá maior com sua esposa que morrera.
Ele me olhou bem fundo nos olhos. Não era um olhar bravo nem decidido a fazer qualquer mal. Era somente um olhar cansado, mas que em dado momento parecia ter descoberto uma verdade própria que não podia mais lutar contra. Seu Carlos estava com seu melhor terno, e me esperou sentar ao sofá maior, sempre me acompanhando com a cabeça calva, a boca seca e o bigode simpático, volumoso e grisalho. Sua velha e bela bengala de jacarandá estava apoiada no braço direito da poltrona. Olhou as palmas das mãos calejadas, arrumou o resto de cabelo que ainda existia, e pousou mais uma vez as mãos sobre os braços da poltrona. Suas pernas estavam cruzadas ao tornozelo. Levantou a cabeça a mim e disse, de maneira muito serena e aconchegante:
Sabe… eu não deveria dizer isso, mas invejo vocês, que agora começam uma vida nova, juntos, neste pequeno apartamento onde um dia me refugiei.
Sente muitas saudades daqui, Seu Carlos?
Não… quer dizer, sim! Vim para cá, trouxe alguns móveis da casa onde morava com minha amada esposa, que morreu há alguns anos. Aqui eu reconquistei a paz, depois de perdê-la.
Enquanto Seu Carlos falava, fitava o teto e sorria também muito serenamente. Mais uma vez voltou os olhos a mim, já sério, mas nunca com aparência severa:
Daí que quando vejo vocês se mudando para cá, para o mundo que me refugiei e reencontrei a paz, eu não me sinto muito bem.
Mas o senhor também tem um belo novo lar…
Eu sei. Sei bem que o lar que me espera é muito bonito, já me disseram. Ainda não fui lá, estou com receios… É uma bobagem, eu sei, mas às vezes pareço querer ficar…
O senhor não atrapalharia aqui, mas acho que o senhor se sentirá melhor em sua nova casa…
Não, eu sei que não devo ficar. Não posso ficar aqui com vocês, esse apartamento já não me pertence. É que a paz que construi aqui é difícil de deixar.
Eu compreendo, Seu Carlos. Assim como compreendo que, com certeza, em seu novo lar reinará essa mesma paz.
Será? Tenho medo. Olha eu, um velho que já passou muitas coisas nessa vida, com medo… Tive medo na hora mais difícil da minha vida, quando perdi minha esposa e me sentia muito só. Eu chorava todos os dias, debruçado sobre nossa cama. Eu orava por ela, mas sentia muito sua falta. Parecia que alma dela se negava a ir embora daquela casa. Pouca coisa trouxe de lá para este apartamento, orei muito mais forte no dia que deixei a casa, e encontrei de novo a paz aqui. Vivi o resto dos meus anos sozinho aqui, mas feliz e com muita paz.
E o senhor agora tem medo novamente?…
Sim, um pouco. Mas, olha: da mesma forma que você tem certeza que minha nova casa também há a paz que preciso, tenho certeza de que vocês dois encontrarão a paz que procuram. Serão muito felizes, como eu fui.
Temos então sua benção, Seu Carlos?
Claro que têm! Glória e você serão muito felizes, podem ter certeza. O que me faltava era sentar aqui pela última vez, e dizer a você o que nunca tive a oportunidade de dizer: faça minha filha feliz, como eu fiz minha amada esposa feliz… Acho que agora começo a recuperar a coragem de me mudar daqui. Acho que era isso que me faltava. Muito obrigado!
Com seu jeito de bom velho, Seu Carlos levantou-se apoiado em sua velha bengala de jacarandá. Com as mãos apoiadas no topo dela, e com os pés juntos, me olhou ternamente e sorriu o sorriso de sua paz. Virou-se, caminhou até a porta, abriu, saiu, fechou e foi embora para sua nova casa.
Logo depois entra Glória, com a última caixa de seus pequenos pertences. Ela pára em frente à pequena sala, deixa a caixa ao chão, e senta comigo dividindo o sofá. Depois de um beijo longo, vira-se para mim:
Nós vamos ser muito felizes!
Eu sei que sim!
Depois ela se levantou, pegou a caixa ao chão e notou alguma coisa faltando na pequena sala:
Onde está aquela bengala de jacarandá que vimos aqui ontem?
Não sei…
Papai gostava muito dela. Acho que um de meus irmãos deve ter passado aqui e levado. Tudo bem, com qualquer um deles que estiver, está em boas mãos! Quase tudo que está aqui era dele, antes de ele morrer. Com o que tem aqui, já me sinto feliz! Com certeza, nós e este apartamento têm a benção dele!
Sim, meu amor! Com certeza!

Sep 6, 2011
Lá vem o sol

Eu escuto um som daqueles, um Beatles de antigamente, um Beatles da segunda fase. E o antigamente vira agora, a hora que eu queria ir pra escola…

Eu era moço de família careta, ia à missa todo domingo, camisa branca debaixo da calça, lição em dia, nem pensar em poesia - papai condenava, mamãe não insistia.

Lia era filha de hippie, e a escola nem mais ligava pra camiseta por cima da saia que não era a do uniforme. Ela ria bastante, ria muito, e eu me perguntava por que eu não ria também. Ela brilhava muito, tanto. E eu me perguntava por que as estrelas que eu via do meu quintal não eram tão brilhantes quanto era vê-la sorrir assim.

Papai chegava a cada quinze dias com aquele uniforme militar, mamãe preparava comidas e orações à mesa enquanto a tristeza era disfarçada de família modelo da classe média.

Eu só passei a esperar a hora de ir à escola, sorrir com sua risada lá do canto da sala onde eu me escondia. E um dia do nada Lia virou o rosto, me pegou sorrindo com seu riso, e eu me enrubesci, queria morrer encolhido verminho de laboratório na aula de ciências.

A sirene deu o final da aula, eu agradeci. Cabeça baixa arrumei meu material e quis partir: Lia na minha frente me impediu passagem, esperou pacientemente eu tomar coragem e levantar a cabeça zonza de vergonha.

- Não precisa fugir.
- Não estou fugindo.
- Você está mentido - doce, ela dizia sorrindo.
- Não estou fugindo - insisti, já sorrindo também.
- OK. Não está fugindo. Mas está sorrindo. Pronto!

Perguntou meu nome e respondi, naturalmente. Disparei a falar mesmo coisas que ela não perguntara. Ela falou muito também, fomos conversando até o portão da escola. Era a hora de cada um pro seu caminho.

- Tchau, até amanhã - ela disse, como sempre, sorrindo.
- Tchau, até - respondi braço parado no ar, vendo ela virar esquina.

Foi o dia mais feliz da minha vida.

Voltei para casa radiante. Entrei correndo pelo portão de casa, livre, sorridente, abri a porta com tudo e tchum: papai falava sério, mamãe chorava. Papai pegou mais malas do que de costume, olhou pra mim seco, como de costume, e saiu sem deixar falta – como de costume. Mamãe chorava eu não sabia por que. Muito tempo depois eu descobri – chorava não o vazio que papai deixou, mas da vida que ele roubou.

Papai fora embora, ainda era o dia mais feliz da minha vida.

Dia seguinte a mesma vontade louca de ir pra escola. Era hora! Fui correndo, não me aguentava em mim de vontade de ver Lia sorrindo. E lá no portão da escola ela estava, conversava com amigas, e me viu chegando.

- Pra que a pressa?
- Tou atrasado - primeira coisa que me veio à cabeça.
- Quinze minutos antes? Você não sabe mentir… - já lia em minha testa.

Qual não foi minha surpresa quando ela pegou na minha mão e disse: “não se preocupe”. Aquele foi o dia que mais cheguei adiantado na escola, mas não assisti a aula alguma porque ela me levara àquela velha praça da esquina, um banco de jardim e uma mangueira que nunca percebi tão bela, não fosse ela falar.

Ficamos bem perto de uma lojinha de discos. Acabara de chegar o mais novo dos Beatles. E enquanto isso, não sei porque, eu falava do meu pai que ia indo embora, já era hora, na sua secura de militar com mil amantes, e minha mãe chorando no sofá da sala, e um adeus pra mim, ainda bem, porque eu diria ainda bem que vai embora, e poderia ganhar um tapa na cara que nem naquele dia quando derrubei refrigerante na sua mesa, ou mesmo quando eu cantava alto uma música dos Beatles da primeira fase.

No meio do meu repertório demais real, eu nunca tinha visto Lia tão quieta, prestando atenção em tudo, sorrindo aquele riso de paz misturado à menina por quem me apaixonei muito muito tempo antes de parar na minha frente, e eu dizendo tudo aquilo sem medo nem vontade de me tornar aquele verminho da aula de ciências.

     - Eu gosto de você também - Lia me respondeu,com um brilho no olhar que nunca me esqueci.

Nos beijamos. E aquela tarde já eterna era perfeita, enquanto ouvíamos George Harisson dar um toque de esperança às fraquezas humanas, anunciando um amor não anunciado: “Here come the sun, the smiles returning to the faces/ Here comes the sun, And I say it’s all right”.

Voltei pra casa boiando de felicidade, já não tão rápido demais. Só desabei quando um caminhão de mudanças levava todas as nossas coisas de casa, mamãe dando ordens, homens carregando móveis. Não tive forças pra fazer mamãe mudar de ideia, e sabia não ter nem o direito de fazê-la ficar naquela casa de vidas secas. Era a vez dela, ela era ainda jovem. Os tempos eram outros. Eu a acompanhei, porque também não tinha como ficar.

Não tinha nem como dizer adeus pra Lia, e enquanto partíamos com o caminhão nos seguindo, eu a procurava em todas as esquinas pra acenar, pra gritar que voltaria pra ela nem que não houvesse mais Lennon ou McCartney, esquinas, escolas, descobertas. Eu a via em todas as esquinas, e ela não estava em nenhuma delas, talvez apenas estivesse em seu quarto, olhos brilhando no espelho esperando o dia seguinte pra gente se ver. E a gente não se viu. A gente era um nunca mais cravado na agulha do disco riscado -  algo impedia a música de simplesmente continuar, parou num solo, não era simplesmente virar o lado ou trocar de disco e continuar a vida. A música cessou feito “Let it Be” com os Beatles, o sonho tinha mesmo acabado?

Tempos depois mamãe comprou o Abbey Road na casa nova pra renascer. E a cada vez que ela ouvia pra renascer, eu morria um pouco me lembrando de tudo que deixei pra trás. Nem soube se ela me esperou no portão da escola de novo, nunca soube se me odiou, se chorou saudades, ou se sorriu o mesmo sorriso de brilho porque pra ela sempre foi tempo de brilhar.
 
Cresci, comecei a trabalhar, deixei o cabelo crescer como você tinha dito que seu pai era. Seu pai perfeito, amigo, companheiro, inteligente, fã dos Beatles da segunda fase. Comprei todos os discos depois de Sgt. Peppers, só pra tentar sorrir como você. Mas não conseguia… Pelo menos o emprego, como na escola, era a hora mais esperada: eu vendia discos. Os Beatles já haviam se separado há um bom tempo, e chegou o tempo em que tocar qualquer Beatles da segunda fase já não vendia tanto assim. Mesmo assim desafiei moda e gerente, rolei o Abbey Road, e viajei, sozinho do balcão, a loja no final da tarde de sexta-feira, quase na hora de fechar.

E ouvi uma voz acompanhando:

- “the smiles returning to the faces…”

     - Este disco que está tocando não está na prateleira. Propaganda enganosa - doce, Lia dizia sorrindo, um olharzinho pedinte misto de emoção e explosão contida.

-Lia!

E ela me respondeu com mais um de seus sorrisos.

- Comprei o último. Não há mais à venda. Eu guardei pra você - respondi sorrindo, agora sem precisar mentir.
- Viu como a verdade sempre parece mais verdadeira -  ela disse já quase às lágrimas - Só que este eu já tenho. Só não tenho mais você, não tenho… - ela disse, e eu nunca havia visto ela chorar.

E eu escutava um som daqueles, um Beatles de antigamente, um Beatles da segunda fase. E o antigamente era o agora, a hora que eu queria ir pra escola:.
    
- Agora tem, Lia, agora tem! – e eu continuei com Harrison a canção: “Here comes the sun, babe, and I say, it’s all right”.

Sep 6, 20112 notes
Sep 4, 2011882 notes

August 2011

5 posts

Aug 19, 201146 notes
#17th century #art #painting #Juan van der Hamen y Leon
Aug 10, 2011562 notes
#1950s #vintage
Aug 10, 2011239 notes
#Ginger Rogers #1930s #vintage #actress
Medo

Suas mãos ficam trêmulas quando sente seu medo.
Soa frio e intenso quando sente seu medo.
De um homem amedrontador, frio, torna-se apenas
mais um cidadão.
Fútil e ingênuo.
Quando sente medo.

Aug 5, 2011
Aug 5, 2011387 notes

July 2011

7 posts

Jul 22, 2011326 notes
Jul 22, 2011124,801 notes
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